domingo, 16 de agosto de 2015

Reinterpretando raízes - moda alternativa

* A publicação estava pronta já fazia um tempão, e só faltava mesmo o look que visualizei. Mas acabei tendo uns dias corridos e não consegui fazer como queria. Vocês vão perceber pelo cabelo e pelas olheiras. Desculpem.
**Como a proposta é inovar, quero que tenha repercussão internacional (não custa sonhar, né) e por isso resolvi fazer em inglês. Se não está correta a tradução, me perdoem.
* The publication was ready it had been a long time, and only lacked even the look that visualized. But I ended up having a few consecutive days and could not do as he wanted. You will notice the hair and the dark circles. Sorry. 
** As the proposal is to innovate, I want you to have international repercussions (not hurt to dream, right) and so I decided to do in English. If the translation, forgive me it is not correct.

Temos um grupo de blogueiras no Facebook que decidiu criar um evento muito legal: vestir roupas tradicionais do Brasil sob um ponto de vista alternativo:
"A ideia deste projeto surgiu de uma discussão a cerca de nossa admiração pelas bloggers alternativas gringas. A partir daí, mencionou-se os textos da Sana em seus blogs, que trouxe a questão: "O que nós temos em nossa cultura que podemos usar em nossos looks?" . Pensando na diversidade da cultura brasileira, e no nosso estilo único e pessoal, será possível adaptar alguma peça típica de nossas culturas locais (ou nacional) para serem incorporadas ao nosso vestuário? É para explorar essa possibilidade que o projeto Reinterpretando Raízes foi proposto. Tire os livros da estante, as roupas da gaveta e vamos re-criar!"
We have a Facebook group of bloggers who decided to create a very cool event: wear traditional clothes of Brazil under an alternative point of view: 
"The idea of this project came from a discussion about our admiration for the alternative bloggers from outside Brazil From this point, the Sana texts in their blogs were cited, which brought the question." What we have in our culture that we can use in our looks? ". Thinking about the diversity of Brazilian culture, and our unique and personal style, you can adapt any typical piece of our local (or national) cultures to be incorporated into our clothing? Exploring this possibility, the project "Reinterpreting Roots" was proposed. Take the shelf of books, clothes drawer and we will re-create! "


Em fevereiro de 2012, na semana de moda de Nova York, o designer brasileiro Carlos Miele fez sua reinterpretação do tema gaucho.
In February 2012, on the New York fashion week, the Brazilian designer Carlos Miele made his reinterpretation of the gaucho theme.

Eu escolhi a vestimenta típica gaúcha feminina, porque minha herança é gaúcha. Meu pai e meu avô paterno são gaúchos. A cultura gaúcha é muito forte no interior do Paraná, e os trajes das "prendas" sempre me atraíram pela beleza e riqueza.
I chose the typical "Gaucho" women's clothing, because my heritage is from Rio Grande do Sul state. My father and my grandfather are gauchos. The gaucho culture is very strong in the state of Paraná, and the costumes of the "prendas" have always attracted me by the beauty and richness.


Um casal gaucho em anime
A gaucho couple


A cultura gaúcha é bem tradicionalista, na sua música, comidas e roupas. A indumentária tradicional é conhecida como "pilcha". Os homens vestem um conjunto específico de trajes: bombacha (uma calça  frouxa, boa para montaria), botas normalmente até os joelhos, camisa campeira, faixa na cintura, lenço no pescoço, colete ou outro casaco e chapéu. Cada região do Rio Grande do Sul tem suas particularidades quanto a cores, materiais e feitios, dependendo das normas do CTG (centro de tradição gaúcha) correspondente.
As mulheres vestem um traje com regras bem específicas: vestido ou saia e casaquinho, de uma ou duas peças, com a barra da saia no peito do pé, podendo ser godê, meio-godê, em panos, em babados ou evasês, com cortes na cintura, cadeirão ou corte princesa, atentando para a idade e estrutura física. As mangas longas, três quartos ou até o cotovelo; podendo ser lisas ou levemente franzidas. Admite-se, no máximo, um leve decote, com ou sem gola, sem expor os ombros e o seio. Enfeites : podem ser rendas, apliques, bordados, passa-fitas, gregas, fitilhos, fitas, viés, babadinhos lisos ou estampados miúdos, plissês, crochés, botõezinhos forrados, nervuras ou favos. Não são permitidos apenas os tecidos transparentes sem forro, slinck e similares, tecidos brilhosos (lamê, lurex e outros para uso à noite em festas não tradicionais) e tecidos em cores contrastantes, chocantes ou fosforescentes. Sapatos: pretos, brancos ou beges; podem ter salto 5 ou meio salto com tira sobre o peito do pé, que abotoe do lado de fora. Cabelos: devem estar semi-presos, presos ou em tranças, enfeitados com flores discretas que podem ser naturais ou artificiais, sem brilhos e purpurinas, combinando com o vestido. Maquiagens : discretas ode acordo com a idade e o  momento social. Acessórios não Permitidos: Brincos de plásticos ou similares coloridos, relógio e pulseiras, luvas ou meia-luva de renda, crochê ou tecido, colares, sombras e batons coloridos em excesso, uso de duos postiços, unhas pintadas em cores não convencionais (verde, azul, amarelo, prata, preto, roxo, etc.) .
É um conjunto de regras bem rígido!

The gaucho culture is very traditionalist in its music, food and clothes. The traditional look is known as "pilcha". Men wear a specific set of costumes: bombacha (a loose pants, good for riding), boots normally to the knees, campeira shirt, cummerbund, neck scarf, vest or other coat and hat. Each of Rio Grande do Sul region has its own peculiarities as the colors, materials and sizes, depending on the rules of CTG (center of Gaucho tradition) correspondent.
Women wear a costume with very specific rules: dress or skirt and jacket in one or two pieces. Long sleeves, three-quarters or to the elbow; can be smooth or slightly furrowed. It is accepted at most a slight neck, with or without collar, without exposing her shoulders and breast. Shoes: black, white or beige; 5 may have jump or jump through with strip on the instep, which button on the outside. Hair: must be semi-arrested, imprisoned or in braids, decorated with discreet flowers that can be natural or artificial, without glare and purplish, matching the dress. Makeup: discrete ode according to the age and social time. Accessories not Allowed: Plastic earrings or similar color, watch and bracelets, gloves or half-sleeve lace, crocheted or woven, necklaces, shadows and excess colored lipsticks, use of false duos, nails painted in unconventional colors (green, blue, yellow, silver, black, purple, etc.).
It's a very rigid set!

Traje de prenda: um mais simples (blusa e saia) e um mais elaborado.
Prenda costume: a simpler (blouse and skirt) and a more elaborate.

Tu nunca vais ver uma mulher de bombacha ser chamada de prenda, embora seja aceita em ambientes que peçam calças, como montarias. A roupa de montaria feminina se assemelha a roupa masculina, mas a diferença para aí. Além disso, o traje de prenda é usado em diversas ocasiões, mas não é o único traje gaúcho feminino: existe o traje "campeiro", composto de saia longa, camisa, faixa larga na cintura, botas e eventualmente chapéu, cuja maior representante é a cantora Shana Muller:
You will never see bombacha woman be called "prenda", although it is accepted in environments that ask pants, as horseback riding. A female riding habit resembles menswear, but the difference stopped there. In addition, the costume of "prenda"is used on several occasions, but it is not the only female gaucho costume: there is the costume "pampas" composed of long skirt, shirt, wide waistband, boots and eventually hat, whose greatest representative is Shana Muller:

A faixa na cintura é derivada do traje gaucho masculino. 
The waistband is derived from male gaucho costume.

Na minha interpretação, resolvi usar como base o traje campeiro, que é mais fácil de adaptar. Saia longa, botas, camisa, chapéu e faixa. Para tanto, usei uma saia longa vinho, uma camisa preta transparente (uma vez que tecidos transparências não são usados), coturnos, e dois cintos metalizados sobrepostos. Nos cabelos, coloquei uma casquete, que quase nem apareceu. Pulseira preta e colar camafeu como acessórios. Batom vermelho como maquiagem.
In my interpretation, I decided to use based on the pampas costume, which is easier to adapt. Long skirt, boots, shirt, hat and belt. For this, I used a long wine skirt, a transparent black shirt (since tissues transparencies are not used), boots, and two overlapping metallic belts. Hair, put a hair arrangement, which hardly appeared. Black bracelet and necklace cameo as accessories. Red lipstick for makeup.



 Desculpem se estou com o cabelo feio. Ele não colaborou.
Sorry if I'm the ugly hair. He did not cooperate.

E por fim trouxe este vídeo mostrando danças típicas gaúchas. Espero que apreciem:
And finally brought this video showing gaucho dances. I hope you enjoy:

Dança do pau de fitas. O pau-de-fitas foi trazido pelos alemães que aportaram na região sul do Brasil. Um mastro de aproximadamente três metros é fincado no chão com diversas fitas coloridas atreladas a ele. Os dançarinos devem estar em número par e cada um segura uma fita para girar ao redor do mastro. No decorrer dos passos da dança, vão se formando desenhos com as tranças das fitas. A dança é acompanhada por músicas provenientes de instrumentos como o cavaquinho, pandeiro, acordeão e violão. Repare no desenho formado pelas fitas no topo do mastro, e no fato de que a música está sendo interpretada ao vivo.
Dance "mast of ribbon". The mast of ribbon was brought by the Germans who landed in southern Brazil. A mast of approximately three meters is stuck on the floor with different colored ribbons tied to it. Dancers must be an even number and each holds a tape to turn around the mast. During the dance steps they are formed designs with braids ribbons. The dance is accompanied by music from instruments such as the ukulele, tambourine, accordion and guitar. Notice the design formed by the ribbon on top of the mast, and the fact that the music is being played live.

Referências usadas neste post:
http://redeglobo.globo.com/rs/rbstvrs/galpaocrioulo/noticia/2012/06/em-alta-moda-tradicionalista-ganha-ares-urbanos-e-adaptacoes-modernas.html
http://trabalhodecasacom.blogspot.com.br/2010/08/regiao-sul-comidas-dancas-e-trajes.html
http://dancas-tipicas.info/regiao-sul.html
http://culturanativa.no.comunidades.net/trajes-de-prenda
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pilcha
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vestido_de_prenda
https://www.facebook.com/Campeiras?fref=ts
http://www.kboing.com.br/shana-muller/fotos/

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Uma aventura não tão congelante

Fui convidada para um aniversário de criança, com o tema do Frozen (só eu não gosto deste filme? Prefiro a Mulan e a Rapunzel!) e fiquei um pouco receosa. Afinal, como não deixar o lado dark de lado, mas ficar confortável, quentinha, elegante e poder me mexer num buffet infantil tranquilamente?

Eu decidi usar uma saia de veludo chamois, que mandei fazer a anos e raramente uso. Uma meia arrastão, uma blusa com ar vitoriano (do guarda roupa da minha mãe) e um colar antiguinho, que também raramente uso e customizei com esmalte cinza (as contas originalmente eram rosa). Sapatilhas pretas de verniz, que queria poder andar tranquila no meio da molecada. 

Neste dia, fui almoçar com meu pai, e na hora de fotografar ele me disse "espera um pouco aí!". Voltou com uma jaqueta de couro (morrendo de calor, tadinho!), dizendo que queria "me acompanhar na produção". Não é fofo? <3

Pai amor!
  
Pai versão rock hehehehe. O velho adora ouvir Nazareth, Scorpions, Ira...
  
 Look inteiro

Look 2

Detalhes da blusa

Anel estilo vintage da Renner, esmalte Viúva Negra da Risqué
  
Pulseira tipo escrava

Anel de rosas negras e o Claddagh

Pulseiras de contas de sempre 

O colar e o make. Batom roxo que comprei para fechar um frete grátis da Posthaus, faz muito tempo. Não usava muito, até que um dia passei e me liguei que ficava bom com esta cor de cabelo, me liguei sobre isso depois de ver umas fotos da Madame Gio. Nos olhos, sombra marrom e kajal preto, Abelha Rainha. Sobrancelhas precisando de uma designer.

E teve salgadinhos, muitos docinhos, bolo, princesa Elsa e Anna, e gente me estranhando. Muito! Achei até graça. Ué, só porque era festa de criança deixaria o meu lado, o meu eu, de lado? Engano seu. Pretendo até usar para trabalhar.

E gostei tanto de usar peças que estavam paradas no guarda roupa, que resolvi listar as mais paradas e usar de uma forma mais dinâmica. Separar em uma porta do guarda roupa e usar por uma semana, aí trocar por outras. Viajar com pouca roupa para Curitiba no começo do doutorado ajudou bastante nisso também - como tinha poucas opções, tive de me reinventar. Vou trabalhar mais neste exercício.

E você? Quando tem festas, como mantém seu estilo?

Beijos!


Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

sábado, 8 de agosto de 2015

Comparações

Existe uma rádio aqui de Curitiba, chamada Ouro Verde, que é chamada de "easy", porque toca músicas leves, suaves, lights. Uma rádio de dentista, digamos assim (risos).

Bom, quando eu saía da aula de tarde e iam me buscar, o rádio sempre estava nesta emissora. E como eram umas 17:30, 18:00, entrava o momento espírita, onde tinha mensagens de cunho espiritual. Eu não lembro exatamente qual, mas lembro que começava sempre com uma oração, que dentre outras coisas, dizia:

"Lembre-se que ninguém é melhor e ninguém é pior do que você".

E os anos passaram, e eu registrei aquilo. Mas lembrar é uma coisa, praticar é outra. Tentava não me cobrar, não me comparar. Mas quando se é jovem, inexperiente, é fácil fazer da forma errada. Como não querer ser melhor do que o outro, se todos os dias nos empurram esta forma de pensar? Anos passam, depressão, pensamentos suicidas, vida desgarrada, choro no travesseiro lamentando solidão.

Até que um dia, lendo sobre o anime Sakura Card Captor, encontrei um artigo sobre o Kaizen. No anime, Sakura é uma menina disposta até o mais do próprio limite, para ajudar seus amigos e fazer o que é certo. Li que esta filosofia do anime se baseava no Kaizen. 





"Para o Kaizen, é sempre possível fazer melhor, nenhum dia deve passar sem que alguma melhoria tenha sido implantada, seja ela na estrutura da empresa ou no indivíduo (...). Uma analogia conhecida é a de uma história chamada "O Tesouro de Bresa", na qual um pobre alfaiate compra um livro com o segredo de um tesouro. Para descobrir o segredo, ele tem que decifrar todos os idiomas escritos no livro. Ao estudar e aprender estes idiomas, começam a surgir oportunidades, e ele lentamente (de forma segura) começa a prosperar. Depois, é preciso decifrar os cálculos matemáticos do livro. É obrigado a continuar estudando e se desenvolvendo, e a sua prosperidade aumenta." (Fonte)

Mais do que uma filosofia empresarial, o Kaizen é uma filosofia de vida. Para os japoneses, todo dia você deve se esforçar para ser melhor do que era ontem. Há comparações entre indivíduos? Infelizmente sim, afinal eles são humanos. Mas a grande meta não é essa. É ser melhor do que você era ontem.

Tá e daí?

Daí que eu olhei no espelho e vi alguém. Alguém que viveu muita coisa, que se entregou de corpo e alma em todos os relacionamentos, que quebrou a cara e se arrependeu muitas vezes. Mas que aprendeu muito, e hoje sabe o que busca, sabe seus defeitos e qualidades, sabe onde pode chegar e o ritmo. Eu melhorei como pessoa, dia após dia, e não parei por aqui. Se hoje tenho a segurança de assumir meu lado dark, de dizer não quando preciso, de sorrir para quem está no espelho, de me sentir bem quando sozinha, é porque sei que estou evoluindo. 

Não há evolução sem ouvir críticas de cabeça aberta. Não há evolução sem pensar com coração e mente juntas numa só. Não há evolução sem olhar para o passado. E eu busco fazer isso todo dia.

Até penso em tatuar o símbolo do kaizen, para não esquecer a lição dele: Existe alguém melhor que você - você no futuro - e existe alguém pior que você - você do passado. 
Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

E hoje em dia, como é que se diz "eu te amo"?

Ultimamente, tenho feito muitas pesquisas sobre vários comportamentos sociais que hoje são considerados contra-cultura: poliamor, transexualidade, nudismo, veganismo, pauperismo voluntário, entre outros. Nestas pesquisas, me deparo muitas vezes com questões que machucam meu ego, me fazendo questionamentos e me colocando em posições de vergonha de mim mesma, pelo meus próprios preconceitos e medos. Medos difíceis de combater. Em todas estas pesquisas, eu percebo um padrão comum na maioria: tudo é feito em torno do Amor.

Amor é uma daquelas definições difíceis, porque é muito amplo. Temos o amor de amigos, de amantes, de familiares, social, de trabalho, de ideologia, divino...Mas em tudo que leio e pesquiso, percebo este fio invisível amarrando pessoas que não se conhecem e nem se conheceriam, se não fosse este guia comum. Amores múltiplos, amor a sociedade, amor a natureza...amor, simplesmente.

Todo mundo quer ser amado. Mais do que ser amado por si mesmo, se aceitar, todo mundo quer encontrar alguém que te deixa 100% seguro a respeito do seu amor. Mas infelizmente, o que percebo é que, na nossa sociedade, este é um conceito muito restrito. Amor tem condições. 

Eu até hoje trabalho a minha cabeça para amar e ser amada. Amar, para mim, é cuidar da pessoa, é ajudar no que precisa, é fazer algo para ela, é saber que ela está bem - bem nutrida, não passando frio, sem dor, sem estar triste e sozinha. Mas ser amada, para mim, é receber atenção nas minhas coisas, nas minhas conversas; é compreensão com o que digo; é querer saber de mim. É reconhecer o que eu fiz e meu esforço, mostrando que percebeu que o tempo que investi naquilo foi visto e reconhecido de fato, me ajudar naquele momento, manter o que fiz porque faço muito esforço diário. 

Mas nem todo mundo ama assim. Tem gente que pensa que amor é sexo, ou fazer coisas quando pedem, ou amor é falar que ama todo dia, ou flores e bombons e presentes. Ou afirmar o poder pessoal na sua vida, como um elemento fundamental, como se sem a pessoa sua vida fosse horrorosa. Aí vemos mulheres insatisfeitas ("Ele não me ajuda na louça! Nem com as crianças! Deve ter um caso, não sai do celular!"), e homens frustrados ("Ela não confia em mim, vive fuçando meu What´s Up! Carrego compras, corto a grama, busco a mãe dela no hospital e quando relaxo no celular, ela briga!"). 

Isso gera conflitos. Conflitos geram condições. Infelizmente, eu demorei muito a entender na minha vida que amor tem condições. A gente aprende que amar é fazer alguém feliz. E de repente não é bem assim: você deve estar atento a felicidade de ambos. Se você não está feliz, não pense que a outra pessoa não vai estar também - às vezes, ela nem vai se tocar. 

Eu era conhecida nos grupos que fazia parte como uma pessoa pacífica, que não brigava. Eu discutia com calma, explicava. Assim, os anos passavam...e os relacionamentos acabavam. A chama apagava e ficava aquela sensação amarga: não mereço ser amada. Ninguém merece meu amor. Aí tentava de novo (brasileiro não desiste, né?), mas com outra abordagem: brigava, falava na hora, sem pestanejar. Terminavam também. O que me sobrava eram acusações: que eu exigia demais de mim mesma, e da outra pessoa por consequência. A confusão acabava comigo: não tenho direito de exigir aquilo que desejo e considero como certo? Estou impondo condições ou apenas querendo o que desejo?

As condições para ser amado e amar variam todos os dias. Mais do que aceitar o que a pessoa oferece, é saber identificar o que ela está te oferecendo. Segurança nunca deveria existir numa definição de relacionamento - todo dia você deve "caçar" aquela pessoa, tentando pegar um pouquinho da atenção dela. Conquistar o respeito, a atenção, o afeto. E aceitar o que ela está fazendo por você, mesmo que isto a princípio lhe exija esforço. E quando você é de uma subcultura, aí o peso desta aceitação é crucial.

Como saber? Tem livros que ajudam (e muito, vai por mim), como este. Tem testes, como este. Mas, acho que mais do que você identificar isso, é você entender como a pessoa está te olhando e te gostando, e absorver aquilo com a confiança. Nos poliamores e outras formas de casais que pesquiso, não há um que não fale sobre confiança. Tem que confiar naquele amor, naquela relação. E isso não tem nada a ver com amor. Eles amam, mas garantem que não é amor e sexo que os faz estar naquela relação - afinal, eles são livres para se relacionar com quem quiserem! É a confiança, é saber que a relação se baseia em falar tudo sem tabu, em não expor a pessoa, em cuidar da casa sabendo que a pessoa gosta daquilo, em manter o nível pessoal porque sabe que para acompanhar a outra tem que manter o nível alto, em dar atenção a filhos e pais sem se envergonhar, é ficar doente sem achar que está estorvando o parceiro. Um casal que confia até briga, sabendo que ao final se abraça e fica tudo bem. Um casal que confia honra a confiança do outro, fazendo o que lhe é esperado por saber que vai deixar o outro feliz. Como confiar, quando a pessoa pisa na bola vez após vez? Se você pensa em confiança como fidelidade, aí você se engana: é muito provável que a pessoa perca a confiança em alguém que jura nunca mais fazer e não cumpre. Esta é a condição de muitos casais.

Amor, um desejo único, de várias condições. Quais são as suas?

Beijos!

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Espécie Gatinhus eternus

Este fim de semana teve um evento muito legal aqui em Curitiba, o Flash Day Treze Tattoo/Gatos Mil, um evento que reuniu tatuadores para ajudar o gatil Gatos Mil. A ideia era reunir amantes da tatuagem em prol da ONG, com desenhos exclusivos dos tatuadores convidados: Gummo , Gabriel Coelho , Juliana Gallas e Diego Mathos (o filho da Madame Gio, do This is My World!).

Bom, cheguei ao local e tinha vários desenhos legais de gatinhos! Como estava a tempos querendo tatuar um, escolhi o fofinho e para minha sorte e felicidade era o desenho do Diego! Ia ser tatuada pelo filho da Gio! Legal! O pessoal foi super profissional, atencioso, paciente e o resultado ficou muuuuuuito fofo. Curti demais!

Eu já comentei aqui no blog como vejo a tatuagem como uma arte que une tatuador e tatuado, que o desenho deve ter uma história. Eu não vejo graça em fazer desenho da moda, ou sem um apego sentimental. Acho vazio, sabe? Esta tatuagem foi por uma boa ação, me permitiu conhecer o filho de uma amiga querida  que muito admiro, foi um presente de aniversário (adiantado) muito especial e uma homenagem a minha doce Kitty, minha gatinha que virou estrela a tempos atrás. Esta tattoo vai ser exibida com muito orgulho!

E querendo mais informações sobre o trabalho do Diego, vejam no Facebook dele. Muito querido e atencioso, ele pode te indicar o melhor da tatuagem que você quer, ou mesmo indicando alguém que possa fazer dentro do estilo que você busca. Sem jabá, é selo Vívien Camaleon de aprovação hehehe

Fachada do estúdio


Interior do local. Tinha várias ilustrações na parede, fiquei namorando algumas


O Diego, super gente boa! 


Barriga tatuada e o artista


O desenho logo após terminar


E mais pertinho. Prometo que quando cicatrizar direitinho eu tiro outras. Não dá para ver agora, mas os olhos dela estão levemente azulados.

ATUALIZANDO: foto que o Diego tirou no dia. Não é um gato purrrrr? kkkk


E aqui meu raio de sol. Kitty mudou nossas vidas para sempre. Reaproximou eu e minha mãe, trouxe paz e alegria a nossa casa. Era um anjo que cuidou do coração da minha mãe quando eu estava no hospital. Passava horas só admirando ela dormir, encantada com o ronrom. Eu acredito que espíritos como ela são anjos protetores. Pena que teve ir cuidar de outros e teve de ir embora, mas eu creio que vamos nos rever, um dia.

E você? Que pensa sobre tatuagens? Me conta!!


Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

domingo, 2 de agosto de 2015

Quando um efeito sobrepõe um tema

Todos os dias, pessoas que não conheço entram no meu blog e o leem. Isso para mim é uma honra. A quantidade de pessoas que fiz amizade através destas postagens que eu faço me impressiona, e me comove. 

É incrível ver como o ser humano pode ser fantástico, abrindo caminhos virtuais uns aos outros e se tornando amigos, confidentes, companheiros de jornadas.

E nesta jornada, eu encontro muitas histórias que me fazem repensar a vida e como a concebo. Sempre me considerei cabeça aberta, ao ponto de chocar gente considerada "de vanguarda" pelas concepções desencanadas, e ainda assim me surpreendo. E isso me faz muito feliz; acho que trabalha o meu eu mais profundo. Em muitas pesquisas que faço, o tema deixa de ser relevante, perante as pessoas incríveis que acabo conhecendo.

A quem lê este pequeno blog, dentre tantos, digo: eu amo ouvir e poder compartilhar. Se quiser falar de qualquer coisa, tens aqui alguém que ama escutar e o faz em profundo respeito e carinho. De minha boca, só sai sinceridades - e apenas a você. Adoro ajudar tb, e se souber valorizar isto, terá aqui uma pessoa confiável. E amiga.

E a todos que passam por aqui, sempre ou não, minha sincera gratidão. Vocês me fazem parte de um mundo maior e mais feliz.
;)




Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Mais poesia - sonhos de uma noite vazia

Hoje, me peguei encostada na janela
Seu cigarro, aceso na penumbra, dizia que queria solidão.
A fumaça voava até mim, como uma magia de mil e uma noites,
mas para me levar ao inferno, não ao paraíso que sonhava.

Ouço aquela música que me faz lembrar
No ar, pétalas e folhas de um verão acabado
E me pego com medo de quem vejo no espelho, 
que ela termine o que eu comecei.

Não quero pensar em você agora
Não quero te ver sorrindo
Porque tenho vontade de acalentá-lo em meus braços
e chamar-lhe de amor

Já disse Renato que ainda era cedo
Para mim está em uma alvorada
Onde ao invés de subir o Sol vem a Lua
que ao invés de me aquecer me congela

Tens ideia do que é abraçar-te a noite?
Sentir a névoa do teu perfume me envolvendo?
A voz que me chama dominando meus sentidos
Para depois sentir meu coração gritando Não?

Por que tenho esta sensação de que quem precisa de proteção é você?
Que é você que precisa que lhe enxuguem os cabelos?
Que é você que precisa de um bom suco e de um sorriso?
Que é você que quer ouvir Eu te Amo?

Odeio me ver no espelho, embalada na fumaça do seu cigarro, ao fundo meu coração chorando.


Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

terça-feira, 28 de julho de 2015

TAG: sou fã!

A Sana me indicou para uma TAG onde falaria mais sobre meus ídolos e responderia a algumas perguntas pessoais sobre eles. Não resisti e assim que li a postagem dela (incrível e muito pessoal, sobre a Doro, leia aqui), corri para responder.
Já vi que vou chorar respondendo...  ;)

ARTISTA/BANDA ESCOLHIDA: Legião Urbana

Uma das minhas favoritas, com os 4 integrantes (olhei a foto e já chorei. Faz falta. Detalhe: conheci a banda dois anos antes do Renato Russo morrer, em 1996)

1- Quando você descobriu a banda/artista que você é fã e como começou a ser fã dele (es/a)?
Eu passei a ouvir Legião graças a minha prima Fernanda, que conheceu através de um amigo nosso. Eu lembro até hoje: ela colocou Tempo Perdido e eu fiquei petrificada, aquilo era poesia pura!!! Apaixonei e nunca mais deixei. Eu tinha 12 anos.

2- Qual seu álbum favorito e músicas favoritas da sua banda/artista e porque?
Álbum sem dúvida é o V, seguido do Descobrimento do Brasil. O V é cheio de experimentalismo, tem música instrumental, tem cotidiano, tem esperança e dor. O Descobrimento do Brasil tem tudo isso, mas as músicas são mais cheias, a melodia mais complexa. Mas é difícil eleger um álbum, porque depende do meu estado de espírito. Ando ouvindo muito o A Tempestade. 
A minha música sempre será Sereníssima, do álbum V. A letra tem tudo a ver comigo!



"Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E cê vai logo ver o que acontece
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas..."

3- Teve alguma situação engraçada/adversa ou esquisita que você já passou pela sua banda/artista favorita?
Ah já. Quando o Paralamas do Sucesso fez show em 1995 em Curitiba, eu fui ver (eu curto bastante e eles apadrinharam a Legião, então...). Aí estou lá, gritando e cantando, e quando vejo...Dado Villa Lobos no palco! Gritei que nem doida, pulei, falava quase num fiapo "Dado, amo a Legião para sempre!!!!" e ele acabou me notando, acenou para mim! Eu estava com a camiseta do Legião e ele puxou a própria, depois apontou para mim! Chorei!!
E chorei mais ainda depois de descobrir que uma amiga, do fã clube do Paralamas em Curitiba, entrou no camarim, conheceu o Dado, falou de mim lá fora (a gente se perdeu uma da outra) e ele respondeu "poxa que legal, manda um abraço, eu vi ela lá do palco!".
Pensa... eu chorando em casa, de raiva de ter me soltado dela, de emoção, de sei lá...  ^-^
Quando eu estava acamada por causa da Guillain Barre, o Marcelo Bonfá fez o show dele solo em Cascavel. Minha prima foi, levou o encarte da caixa comemorativa (a primeira, a dourada) e ele autografou. "Com carinho, M. Bonfá". E mandou recado: que era para eu ficar boa logo! 
Ah, e já me enfiei em briga defendendo o Renato Russo de homofóbico. Várias vezes!

A caixa (foto da internet). Tive de tirar dois semestres de 10 em todas as matérias, inclusive educação física, para ganhar.

4- Teve algo maluco ou esquisito que você já fez por eles? Por exemplo, uma tatuagem ou viagem longa ou algo similar?
Ainda não mas tá na lista: vou tatuar "urbana legio omnia vincit" (Legião Urbana tudo vence) e o violão que se tornou símbolo da banda no pulso direito. Ainda pretendo colocar os 4 integrantes estilizados junto! (falta o Renato Rocha).




5- Você já fez parte ou faz de alguma comunidade da sua banda/artista favorito?
No Orkut eu fazia parte. Hoje faço parte das comunidades do Legião, do Dado e do Bonfá no Facebook.

6- Conte para nós como foi a primeira vez que você encontrou com eles ou como seria sua reação ao encontrar com seu ídolo.
Eu acho que iria ser mais maluca que foi quando encontrei o Paralamas do Sucesso. Na ocasião, eu só falava "obrigada pelas suas músicas, elas são foda!". Acho que na frente da Legião eu só ia rir e chorar, tudo a mesmo tempo...

7- Diga 3 coisas que te fazem lembrar eles (se você tiver, caso não pode pular essa pergunta).
3 acordes (a maioria das músicas deles era baseada em 3 acordes), Gimme Shelter (a música do Rolling Stones, Renato cantou com Ainda é Cedo em 1994), e rosas. Renato adorava rosas amarelas!

8- Atualmente existe algo que você mudaria na sua banda/artista favorita? (Pode ser referente a sonoridade ou até aspectos físicos dos músicos, por exemplo).
Mudaria a morte do Renato, o vício do Rocha e o sofrimento que adveio da AIDS. Lembro de pessoas cometerem suicídio por causa da morte do Renato, a comoção dos fãs e outros artistas, a Cássia Eller e as declarações dela, a Show Bizz falando sobre e fazendo várias reportagens. Eu tenho uma pasta cheia de posteres, recortes e outros desta época. Foi um baque. A Tempestade era um disco cheio de despedidas, foi algo tão terrível diante da genialidade da banda, que só de lembrar choro copiosamente. A notícia chegou para mim quando saí da aula, e fiquei dias sem querer falar (o mesmo aconteceu na morte do Senna). Meus dois ídolos principais estavam mortos (Renato e Freddie Mercury) e pelo mesmo motivo! Não me conformo até hoje!
Eu conto esta história para meus alunos nas aulas de educação sexual, para eles entenderem a importância da proteção e do cuidado.

E se você quer ver o Renato no palco com toda sua genialidade, seu carisma, veja este show (minha prima tinha ele num VHS, que foi roubado! Ainda bem que tem no Youtube! :).

Sensacional! Até as brincadeiras que ele faz eu sei de cor.

Espero que tenham curtido!
E para passar o bastão, convoco a Rubia do Nosferô e a Madame Gio!
Beijos!


Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

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