sábado, 9 de maio de 2015

A fila preferencial nem sempre me representa

E eis que dias atrás estava na lotérica. Quem já teve o (des)prazer de ir numa lotérica em dia de pagamento sabe o que isso significa: filas, longas e cheias de todos os tipos de pessoas, em geral mal humoradas. Odeio ter de ir na lotérica nestes dias. Bom, lá fui eu. Pegar a fila preferencial. Aqueles olhares reprovadores, de raiva, porque, afinal de contas, aquelas pessoas estão de pé a tempo na fila, e daí entra uma garota na frente e é atendida antes. 

Eu, antes de me tornar deficiente, sempre respeitei a fila dos preferenciais, mesmo quando flagrava alguém fingindo. Só não aceitava bem quando vinham pessoas com crianças acima de 2 anos - elas já conseguem ficar de pé sozinhas, então pegá-las no colo para entrar na preferencial me deixa muito desconfortável. Eu sei, pode ser horrível isso de minha parte, mas é minha opinião.

Aí me tornei deficiente, e passei a usar a fila preferencial. Mas uso apenas quando estou exausta, ou vou ficar muito de pé. Se tiver lugar para sentar, e não vou ficar horas, uso a normal mesmo. E isso gera conflitos. De ambos os lados. De um lado, pessoas ficando p... da vida porque estou abrindo mão do meu direito, direito este que as pessoas tem que aceitar. De outro, pessoas bufando porque estou "atrapalhando" a fila, tomando para mim um tempo da fila preferencial que, como mulher jovem, eu não deveria estar usando. Dureza.

A vida do deficiente, eu acho que já comentei, chega a ser confusa muitas vezes. Quem nasce deficiente, sempre teve esta forma de ver a vida, acho que não sente tanto o choque. Mas eu sinto direto. Me tornei deficiente, passei a necessitar de ajudas, de tolerâncias, de filas preferenciais. Se isso me deixa feliz? Não, mas não por ser deficiente. Me faz ficar infeliz porque as filas especiais, a convivência sob olhares de pena, o preconceito velado ("ai tadinha, ela nunca mais poderá dirigir") e outras pressões diárias são cotidianas a mim e a outras pessoas. E nós tentamos nos mesclar, não forçar nossa existência e aceitação. Queremos que seja algo natural. Eu não quero me sentir culpada por pegar fila preferencial. Quero que seja uma opção, que devo usar conforme a situação, sem amarras. E odeio, com todas as forças, quando alguém quer se aproveitar da minha deficiente para fular fila. Aí, você vai me ver num estado mental difícil de ignorar e de esquecer.

Por isso, digo que nem sempre a fila preferencial me representa. O que me representa é meu auto domínio de minhas deficiências, onde posso ou não fazer valer uma necessidade física.  Poder sobre meu estado de espírito, meu tempo e minhas escolhas - isso sim, é o que quero que seja sempre preferencial.



 Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cyberpunk e seus filhos - steampunk, dieselpunk, e outros (parte 3)

Depois de vermos o Cyberpunk aqui, e o Decopunk aqui, que tal vermos o movimento Atompunk?
Atompunk relaciona-se com o período pré-digital de 1945-1965, o Modernismo, a Era Atômica e a chamada "Space Age", o comunismo e a preocupação exagerada sobre isso, e como se tornou paranóia nos EUA. Juntamente com um estilo Neo-soviético, subterrâneo, arquitetura Googie, somou-se o programa Sputnik, ficção de super-heróis, a ascensão dos militares dos EUA / potências industriais e da queda de Chernobyl. Sua estética tende para Populuxe e Raygun Gothic, que descrevem uma visão retro-futurista do mundo (fonte).
Quer uma referência óbvia de atompunk? Os Jetsons!


Assistia e adorava!

O traço futurista com linhas curvas, relembrando o desenho do átomo, era característico deste gênero. O atompunk é muito visto em decoração e arquitetura, sobretudo, mas também em roupas de caráter futurista. Mas, ao contrário do Cyberpunk, as cores são vivas e as roupas são feitas e tecidos brilhantes, alegres. Não é algo sinistro, é algo atômico e divertido!
Este gênero se confunde muito com o Dieselpunk, uma vez que ambos envolveram a 2a grande guerra. Mas tem diferenças: o dieselpunk é bélico e obscuro, militarista. O atompunk é mais despojado e colorido, inspirado nos anos 50 e 60 da sociedade civil, não militar. E ainda assim isto não é uma regra fixa - o que os difere é o uso de energia atômica como potência.


Concepção retro futurista no Japão!


Torre de Seattle, a Washington Space Needle, considerada de caráter atompunk


Detalhe de cozinha


Desenhos de móveis atompunk


Apesar de parecer meramente um movimento estético arquitetônico, o Atompunk também produz outros, como esta ópera rock aqui, e vários livros (que acabam mesclando com o cyberpunk e com o apocalipunk), mas o forte mesmo é o visual e o design. 
Como usar o atompunk? É bem difícil, pois ele é chamativo e faz parte do movimento ser assim, elétrico e conectado a radioatividade em níveis máximos. Pensei nesta concepção como alguém que trabalha em ambientes onde criatividade é lema, como escritórios de arquitetura e design. Ainda assim, acho que ficou um pouco demais. Mas a estética é assim, e devo respeitar. Me diga o que achou:

Imaginei o que a Judy Jetson usaria se fosse adulta. Eu usaria numa boa, mas não para trabalhar, afinal o ambiente onde circulo não permite.

E você, gostou do estilo? Adotaria? Comente!
Referências: 1, 2, 3, 4, 5.


Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Man Repeller

Você conhece o Man Repeller? 
O blog, criado por Leandra Medine, inspirou um livro, contando as peripécias dela com o mundo da moda, efêmero e nem sempre atrativo para o sexo oposto. De sapatilhas com cristais a calça saruel (e um encontro graças a ela!), de esquecer as meias quando perde a virgindade a macular uma carteira vintage de sua avó, as histórias tem um humor ácido e muuuuuita vergonha alheia. 

Segundo Leandra, uma man repeller é "aquela que usa trajes em um modo ofensivo que pode resultar em repelir os membros do sexo oposto. Tais peças de vestuário incluem, mas não estão limitados, a calças saruel, calças jeans boyfriend, macacões, ombreiras, jumpsuits de corpo inteiro, jóias que se assemelha armamentos e tamancos violentos.
-Verbo (Usado sem objeto),
a cometer o ato de repelir homens:
Menina 1: O que você veste esta noite?
Menina 2: Minhas calças utilitárias verde lima (...), é claro.
Menina 1: Ah, então nós estamos repelindo homens esta noite?"

Ae gravei um vídeo sobre isso!



Uma vez, tive uma festa a fantasia e aluguei um boá de plumas falsas, pretas brilhantes. Acabei não conseguindo usar, mas não queria perder o dinheiro. Resolvi sair com ele para...ir a um bar. Um bar alemão, onde vende chope e a galera fica batendo papo. Foram eu, uma amiga que também considero alternativa, umaa headbanger, o namorado dela, mais duas meninas e um cabeludo. Eu estava lá me divertindo, nem tava dando bola alguma a alguém, brincando com minhas plumas. Saldo da noite: o cabeludo e eu ficamos, e ele disse que "adorou a minha ousadia com aquele boá". Pois é...

Alternativos amenizam tanto sua forma de vestir, seja por trabalho, seja por paquera... E ser considerada uma repelente de homem muitas vezes deprime e cansa. Mas acredito, no fundo do meu coração, que existem homens e mulheres que conseguem ver além do véu. Olham o espírito.

E este sim, é super atraente. Sem calça saruel  :P

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

Não é dark mas eu curto - Melody Rods

Motoristas que gostam de ouvir o rádio ou suas músicas favoritas no carro podem ter uma nova maneira de entreter-se, depois que engenheiros no Japão desenvolveram uma superfície de estrada que toca música!

Placas avisam quando você vai entrar em um trecho musical.

A equipe do Instituto de Pesquisa Industrial Hokkaido construiu uma série de "estradas musicais", que usam carros como diapasões para tocar música enquanto viajam! O conceito trabalha usando ranhuras, que são cortados em intervalos muito específicos na superfície da estrada. Assim como viajar sob pequeno redutores de velocidade ou marcações de estrada pode emitir um tom surdo dentro do veículo, a estrada musical utiliza os espaços entre a criação de diferentes notas. Dependendo de quão distantes os sulcos são, um carro em movimento sobre eles irá produzir uma série de notas altas ou baixas, permitindo aos designers criar uma melodia distinta.
Há três faixas musicais no centro e norte do Japão - um dos quais toca a melodia de uma canção pop japonesa. O aviso de um interlúdio musical iminente, que dura cerca de 30 segundos, é realçado por notas musicais coloridas pintadas para a estrada. Segundo relatos, o sistema foi idéia de Shizuo Shinoda, que acidentalmente arranhou algumas marcações em uma estrada com uma escavadeira antes de dirigir sobre eles e perceber que eles ajudaram a produzir uma variedade de tons.
"Você precisa manter as janelas do carro fechadas para ouvir bem", escreveu um blogueiro japonês. "Dirigir rápido demais vai soar como jogar fast forward, enquanto dirigir por 12 mph tem um efeito de câmera lenta, fazendo com que você escute um carro doente." 
Tudo dependerá da velocidade pelo qual o carro passa sobre o trecho. Segundo alguns motoristas, o ideal é que o carro esteja a mais ou menos 40 km/hr, pois se a velocidade for muito além disso, a canção pode tocar rápido demais. 
Demais, não é? Quer ouvir? Clique e se admire!


Fontes: 1 e 2

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Parecer sobre coisas que não gostaria que tivessem acontecido

Terça, 11:00, Biblioteca pública em Curitiba.
“Pega Internet dos infernos, pega! Aeeee pegou, wifi grátis!!!! Acessar Face, que estou louca para ver o que saiu...deuso, tá com mais de 50 atualizações, o meu vídeo do projeto ficou péssimo, quero ver as opiniões!!! Vamos ver as das meninas primeiro...Já teve quem publicou aqui no grupo e...”

O meu pensamento silenciou. 

Ali, na tela, lia que, durante os 3 dias que fiquei fora da net, um dos grupos do Facebook que mais amava e participava, onde fiz amizades incríveis, onde todo mundo se curtia e ria, cheio de apoio e carinho, implodiu.

Fiquei muito triste. Chocada. Com raiva. Magoada.

A partir daí, abri o link de cada uma das participantes do projeto “Bizarro para você, alternativo para mim”, li com calma cada um,  e parti a ler o que foi decidido a respeito.

Entendo que existem regras. E elas existem para uniformizar as coisas. Não concordo com mudança de regras, salvo se tiver uma justificativa que seja discutida. Acaba criando saias justas e contratempos.

Maaaaas também sou a favor de conversar e resolver de forma honesta e calma. Ouvir a opinião de todos. Eu e muitas das participantes nem pudemos dar nossas opiniões sobre o caso. E isso me surpreendeu e machucou ainda mais. Todas que participaram deste projeto deveriam ter suas visões também compartilhadas. E convidar a se retirar por fazer mudanças, não foi a melhor saída, em meu ver. Poderia dar uma puxada de orelha daquelas, com carinho também, e seguir em frente. E isso não envolveu só uma pessoa, mas várias.

O que mais me chama a atenção neste caso foi a falta de carinho mútuo. Somos blogueiras? Somos. Somos de várias idades, regiões, culturas diferentes? Somos. Mas somos adultas, lindas, poderosas, e sobretudo, AMIGAS! Amizade de compartilhar pensamentos, visuais, medos e angústias! Um projeto não deveria nos afastar, deveria nos unir! Eu penso que, se quem errou (de ambos os lados) pedisse desculpas...continuaríamos amigas, creio mesmo nisso! Ainda muitas de nós somos amigas, mas aquela interação gostosa se perdeu, e na minha opinião, a toa! E não ter visto uma discussão dentro do grupo onde as explicações pudessem ser dadas, ah isso me incomodou muito. Já disse aqui uma vez: eu não entro em briga, mas se entrar sempre será por causa justa. Pretendo me manter amiga (de verdade) de todas as envolvidas. Caso elas não queiram, vou compreender  (se não comentei ainda, ou atualizei meu post, foi por falta de internet grátis a disposição, sorry!)

Não queria sair do grupo porque gosto dele, é um dos que mais interajo e me divirto. Mas não quero dar as costas a questão, porque também não aceitei bem o que foi decidido. E não foi só eu, percebi imediatamente. Muitas meninas que estavam de longe vendo as discussões ficaram sem ação, porque gostam destas pessoas e do que elas tem a oferecer. E pedir que tomem um partido pode ser muito cruel. Não vejo como, exceto por uma conversa franca de coração aberto, que estou tentando expor aqui. Injustiça é uma droga. É, e isso me choca e revolta. Mas o que mais me magoa, mais me entristece, é perdermos amizades e carinho por culpa disso.

Se for para perder amizades por causa de blog, prefiro dar fim nele. Eu gosto de todas que estão envolvidas, e me honraria muito continuar a ser amiga de todas. Amizade para mim é tudo neste mundo.

:(



 Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Uma poesia sobre amor

Fale-me sobre Amor
Fale sobre como o Amor é
Me conte histórias heroicas, de princesas e cavaleiros
De rosas e lençóis
De véus e grinaldas
De fraldas e mamadeiras
De tardes preguiçosas de outono
De risos de netos no quintal

Fale-me sobre dor
Fale como a dor se sente na pele
Me conte histórias doloridas, de mortes e magias
De anéis quebrados
De cartas rasgadas
De traições a beira mar
De ilusões não concluídas
De planos inacabados

Fale-me sobre esperança, por favor
Fale como a esperança floresce
Me conte histórias esperançosas e alegres
De pedidos de paz entre homens
De sorrisos perante o milagre
De amigos que se reencontram
De amores 50 anos depois
De lembranças felizes

Fale-me tudo isso
E depois disto tudo contado
Apenas me abrace forte e diga
Que apesar da dor
Ainda tens esperança no Amor.

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

domingo, 26 de abril de 2015

Bizarro para você, normal para mim: As particularidades do mundo alternativo - projeto Blogueiras S/A

Projeto das Blogueiras S/A saindo do forno!
E desta vez, para nooooooooossa alegria, fiz em vídeo! Primeiro vídeo da cara de bolacha trakinas!!! hehehe
Só que a filmagem ficou ruim, ruim...me perdoem, tive de gravar direto ao Youtube e minha câmera não colaborou muito. Mas dá para compreender. Prometo suprir este defeito com outros vídeos em maior definição.
Bom, o projeto, intitulado "Bizarro para você, normal para mim: As particularidades do mundo alternativo" é um projeto longo, e bem inovador. 

Pensando em esclarecer as particularidades do mundo alternativo para os interessados, o grupo Blogueiras S/A apresenta o projeto "Bizarro pra você, normal para mim: As Particularidades do Mundo Alternativo" que consiste em abrir as portas do mundo alternativo para que as pessoas possam conhecer as diferenças e entender que apesar delas, somos todos seres humanos que merecem respeito. O projeto acontecerá em quatro capítulos divididos em vários temas que cercam o cenário alternativo. Cada participante mostrará a partir de sua visão um pouco do nosso mundo e do que nos torna diferentes.

Para mostrar para o mundo nossas particularidades esse projeto será baseado em Tags com 04 temas diferentes feitas mensalmente. As perguntas serão escolhidas por nós participantes a partir do que entendemos sobre cada um dos temas. E a escolha final para garantir coerência e harmonia entre as perguntas e o tema proposto pelo projeto será da Comissão Organizadora (Elen, Marcela, Mone e Gio) .

OS TEMAS SÃO: 
1.Moda ( estilo, vestuário, concepção, mercado e influências para concepção da imagem)
2.Comportamento (meio alternativo, comportamento pessoas neste meio, o que pensam sobre você fora do meio)
3.Estilo de vida ( filosofia de vida/ideais, religião, aceitação e preconceito)
4.Profissão / Mercado de Trabalho (imagem no trabalho, inserção no mercado, preconceito no trabalho, profissões liberais e conservadoras, escolha da carreira)


Então, sem mais delongas, o vídeo:





 Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

projeto Geração X Rock Blogs - Refletindo sobre o X

Primeiro projeto do Geração X Rock Blogs, e proposto pela Sana Insana! 

Um post-reflexão: Estamos no meio de 2 grandes gerações super ativas e que sacodem o mundo: os Boomers e os Millennials. 
A Gen X é também chamada de Geração Apática, considerados jovens sem identidade e com um futuro incerto, indefinido e hostil. Criados na frente da TV, pessimistas, cínicos, indiferentes, desesperançados... enfim, somos considerados muito zuados. Depressão, ansiedade, desordens alimentares são comuns nas pessoas da nossa geração.

A Víven deve lembrar da letra do Renato Russo: "Poderiamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?". Acho que a frase representa bem a "desmotivação" típica da geração. Nossa dificuldade de levantar a bunda pra fazer alguma mudança forte... em linguagem vulgar: apertamos o phoda-se pra tudo e viramos as costas.
Então esse post seria algo como, se lembrar de como você era quando adolescente e se era mesmo uma pessoa apática (ou não!) e depois trazer isso pra atualidade: você ainda é apático? Mudou? Nunca foi apático? Seus amigos/colegas da mesma faixa etária tem apatia?


Ah a adolescência...época de levar muito tapa na cabeça! E nem sempre dos pais, dos professores, da diretoria! Às vezes, dos amigos. Outras, de você mesmo.
Pensei em muitos dias e noites sobre o que escrever neste post. Isso porque o assunto em questão é longo, detalhado e quero ser o mais sincera possível, o que vai levar muitas palavras. Não posso falar de uma geração e do que vivi sem falar de como foi a minha adolescência, como foi o convívio com outros e as minhas impressões.
O ano X da minha vida pós infância foi 1994. Dei meu primeiro beijo; tomei meu primeiro porre; mudei de cidade - passei a morar numa capital - e meus horizontes de criança se desmancharam. Eu não era mais uma moleca que subia em árvores, de saia e shorts por baixo, ouvindo as freiras gritarem. Não. Eu era uma moça com corpo formando, usando sutiã sob medida porque não achava do meu tamanho, e com estampa do Mickey, para não parecer adulta demais. Entrava na vida escolar sofrendo bullying: fala de caipira, corpo de moça usando roupas com ar de criança, sendo obediente aos pais, quando a ordem era fumar, beber e chocar. Ouvindo rock pela primeira vez, e querendo ser eu mesma. Mas quem eu era?
Alguns eventos desta época me marcam. O dia que fingi fugir de casa, só para deixar minha mãe doida de susto. O dia que ela pegou o maço de cigarros que alguém guardou na minha bolsa, ao voltar de um show (primeiro show de rock da minha vida!), mas depois descobriu que eu fumava (e da-lhe mijada!). O dia que briguei porque não queria me vestir mais como ela, queria ter minhas roupas, como as minhas amigas! O dia que falei "me deixe viver! Não quero só sobreviver!". O dia que quis me drogar, sabia onde tinha, mas achei aquilo estúpido demais e deixei de lado.
(Enquanto digito, choro).


Tive sorte de ter pais que, para a época, eram bem diferentes: meu pai era rigoroso, mas quando eu abria a boca e falava o que realmente se passava, ele confiava e me dava crédito. E minha mãe sempre me entendia, embora nem sempre aceitava. 
Passei uma adolescência pesada, por questões que, para proteger os envolvidos, não abro aqui. Só posso dizer que soube amadurecer, interiorizar e tentar aceitar o lado dos outros, sem julgar. Quando cheguei aos 17, as circunstâncias mudaram drasticamente: passei a morar sozinha, e aí me libertei de muitas ideias pré concebidas. Experimentei vidas, pessoas e atitudes improváveis. Foi um ensino difícil.
Se tentava mudar o mundo? O tempo todo! E levava cada uma! Eu defendia todo mundo no colégio que era desajustado, rejeitado, sem amigos, idealistas. Não entrava em briga física, mas se entrava pode acreditar que era por justiça! Me metia em todos os grupos, curtia punks e patricinhas, clubbers e rockers, hippies e grunges. E sempre fui assim. Se sofri? Muito! Ser rejeitado pelos pais e adultos era normal, esperado até. Sofrer rejeição dos amigos...aí era doloroso. Acho que aí entra a frase do Renato, citada acima. Quem roubou nossa coragem? No meu caso, penso que foi meus amigos! Por incrível que pareça! Manter a opinião quando você quer ser aceito pelos seus, ser amado pelos seus, numa época que a opinião de seus amigos vira um dogma...é tenso!
Influência de mídia era forte. Lembro de ver "Confissões de adolescente" e me identificar. Ali, falavam sobre como identificar suas personalidade. Aí assistia Malhação...e parece que faltava alguma coisa. Parecia que aprendíamos que lutar dava muito trabalho. Melhor era desistir. Eu era do meio: negociava. Comia pela beirada. Achava que, aos poucos, sairia da panela. Dois passos para frente, um para trás. Claro que, quando você é jovem, imediatista, isso pode dar conflitos sérios com quem está ao seu redor. "Conformista! Desistiu! Falsa! Lute contra o sistema!". Car***o, será que não posso fazer como eu quero?
O pior é que até hoje acontece destas. 
E foi neste contexto que comecei a tentar enxergar além. Mas isso falo em outro post.


 Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O lado negro que habita e sussurra

Há alguns anos, eu tinha um outro blog (aham, mas não era de cultura dark). E nele, escrevi, há muito tempo atrás, isso:

"Eu tenho uma Patrícia “lado negro”, digamos assim, dentro de minha psique. Ela é debochada. Irônica. Usa roupas rígidas, olha de canto de olho para você. Com seus lábios pintados de cor escura, um cigarro no canto da boca, ela faz você se sentir um imbecil. Ela te humilha, ela nem faz caso de você. Procura suas feridas e as rasga sem dó. Ela não sente nada. Ela está acima de você. E de mim. Ela é vulgar, sem moral nem escrúpulo. Rouba e engana, exige e não paga. Eu a olho com pena. Ela é tão carente de amor verdadeiro que se protege em couraças, fazendo de conta que sempre ganha. É realmente um espetáculo bizarro.
Ironicamente, meu pior inimigo mora dentro da minha mente, me torturando, me enchendo de culpa por não fazer meu trabalho corretamente, me acusando de fazer pouco caso, me exigindo perfeição, me acusando de ser uma vadia. Quando acordo ela ri dentro da minha alma, dizendo “E aí, vai trabalhar ou vai fingir que gosta de estar lá, com a bunda na cadeira, fingindo que vai ser alguma coisa na vida? Se acha esperta é? Fique em casa...”
Mas eu vou. A tortura continua. Ela me diz que está com fome e me tenta a comer algo caro, mas me joga na cara que não tenho dinheiro, porque a bolsa de estudos o governo não pagou, e quem escolheu esta vida miserável foi eu. Me fala da possibilidade de viajar, mas você não tem dinheiro! Me fala de receber um abraço de algum cara gentil e carinhoso, que te ama de verdade, mas há! Isso não existe sua trouxa! Eles só querem aquilo que sempre querem!
Fala aos meus ouvidos, sussurrando, que as pessoas só me suportam, e que todos têm pena de mim. Para que trabalhar nesta porcaria? Ela não te leva a nada. E você nem consegue fazer direito.
Aí mando ela calar a boca, e ela ri da minha cara."

Bom, eu olho esta descrição e penso o quanto me tornei esta mulher descrita acima.
A vida me lapidou, para o bom e para o ruim. Eu me mesclei e aceitei esta mulher. Eu não a deixo me dominar. Mas quando ela aflora, eu infelizmente permito.
Digo infelizmente porque vê-la em ação para mim é quase um crime, uma fraqueza. Minha natureza sempre foi doce, gentil, empática, e ela vem e destrói isso, com veneno e ácido suficientes. 
Minha Patrícia negra foi resultado de muita descrença e dor. Ela é fruto de patadas gratuitas, de decepções amargas, de ideias pré concebidas e não realizadas. Ela é resultado de arrependimentos que me torturam as noites e fazem fugir meu sorriso.
Mas as vezes, o que quero é ela. Ela no comando. Cortando com a língua afiada, rindo sem dó. Ela é um lado meu frágil, sedutor, espantoso pela beleza de um semblante rígido, traiçoeiro. E, nos últimos dias, só ela tem vindo deitar no meu travesseiro. Junto dela um sedutor, o medo.
O medo é aquele igual aquele amante de novela: bonito, bem vestido e com ares protetores. Ele nunca te acusa. nem exige, exceto que você se aninhe nos braços dele e deixe-o comandar sua vida. Ele alisa seus cabelos a noite, dizendo como você deve evitar procurar outro emprego, ter aquela D.R., mudar o visual, enfrentar a sociedade. Afinal, ele só quer te proteger.
Mas, como bom amante, ele é um canalha. O medo é pai de uns filhos perdidos por aí. Do medo de não ter o suficiente vem a Ganância; do medo de não ser aceita pelo seu visual vem a Vaidade; do medo de ser agredida vem a Ira; do medo de não ser amada vem a Luxúria. Tudo que o medo oferece te suga, lentamente.
Renato Russo disse "E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão". Demorei a entender que medo é este; é receio de assumir que o medo está a nossa espreita. Dentro da gente, agarrado a outra face do meu ego, os dois rindo com escárnio.
E daí percebo que só há um caminho para os dois: ama-los e assumi-los, como parte de mim. Enfrentar o medo; pois ele é um estado de vida passageiro. E quanto a ela, a minha vulgar, dominar não é saída. É preciso conhece-la. E conviver.
Mas não está sendo fácil.


 Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

sábado, 18 de abril de 2015

Projeto Freak Movies - Blogueiras S/A


Lá vem projeto do grupo Blogueiras S/A!




A sétima arte é apreciada por muitos, mas nem todos entendem algumas peculiaridades retratadas no cinema. A Vívien Patrícia Garbin trouxe a ideia de falarmos sobre filmes com gente "contra a maré". A proposta é simples, cada participante irá propor um filme que tenha a temática ou personagens que não são bem vistos pela grande maioria, são considerados "esquisitos". Os filmes podem ser de qualquer década. Cada uma irá escolher um proposto por outra blogueira e fazer uma bela consideração/resenha sobre o filme. Com certeza iremos ter a oportunidade de assistir filmes novos e inusitados. 



Para mim caiu "Garota, Interrompida", e fiquei meio que petrificada. Este é um filme que me dói ver. Sério. Eu mesma, muitas vezes, me peguei olhando para anúncios de clínicas "de descanso", ou comunidades alternativas totalmente isoladas, e pensava "como seria ir a um lugar do mundo totalmente diferente do meu? Será que sou louca, por falar comigo mesma, por dançar sozinha na rua, por querer diferente? Ser[a que sou louca por me pegar querendo morrer, ás vezes?". E ver este filme me respondeu algumas coisas.

Em 1967, após uma sessão com um psicanalista que nunca havia visto antes, Susanna Kaysen (Winona Ryder) foi diagnosticada como vítima de "Ordem Incerta de Personalidade" - uma aflição com sintomas tão ambíguos que qualquer garota adolescente pode ser enquadrada. Enviada para um hospital psiquiátrico, ela conhece um novo mundo, repleteo de jovens garotas sedutoras e transtornadas. Entre elas está Lisa (Angelina Jolie), uma charmosa sociopata que organiza uma fuga.


Cartaz do filme com as duas estrelas, Winona e Angelina, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.


Acho que a primeira coisa que me machuca neste filme é quando o psiquiatra pergunta se ela tem noção do quanto as atitudes dela magoam as pessoas. 
O filme mostra, para mim, como a depressão era tratada mal nos anos 60, uma época de choques entre contestar e se deixar levar. E ser diferente era ser louco. Para quem já teve um contato tão íntimo com a morte, como eu, ela passa a ser uma inimiga, mas que é desejável quando o desespero vem, e toma suas mãos, e te empurra na direção de uma abismo. Mas o que acredito que este filme mostra é que nem sempre o abismo é nosso. Ele pode ser da sociedade. Ele pode ser nosso porque queremos depender dele. Ele pode ser de outro, e me agarro a ele como desculpa. Quando você enfrenta o abismo, você o domina. É algo tão profundo, que desafio alguém que pelo menos uma vez na vida não se sentiu assim.
As atuações de Angelina, Winona e Britney estão impecáveis, e a de Whoopi me leva aos soluços fácil fácil. Um filme doloroso, mas tocante e cheio de esperanças. Algumas vazias, outras nem tanto.

"Alguma vez você já confundiu um sonho com a vida real? Ou roubou algo que você tinha dinheiro para pagar? Alguma vez você já ficou triste? Ou pensou que o seu trem estava se movendo mesmo que ele estivesse parado? Talvez eu fosse louca mesmo. Talvez fossem os anos 60. Ou talvez eu fosse apenas uma garota, ...interrompida."
- Introdução do filme, dita pela personagem Suzanna.

Veja os posts de quem mais participou (vou atualizando conforme forem publicados):
Femme Toilet
Creepy Beauty
Nighght
Vida de tinta

Carpe diem, carpe noctem, finis est initium.

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