sábado, 28 de janeiro de 2017

Auto imagem e o plus size comercializado

Ano passado, depois que fui no Goth-nic, eu voltei bem insatisfeita com as fotos que fiz lá. Eu estava muito fora do que eu acho confortável para mim. 
 
Acho maravilhoso hoje termos a liberdade de escolher quantos quilos queremos pesar. Ainda não chegamos a um ponto de a sociedade aceitar completamente a imagem corporal de outras pessoas (veja aqui o que aparece quando pesquisa-se "mulher sofre gordofobia"), mas já sabemos que muitas mulheres se olham no espelho e gostam, independente do tamanho do quadril delas (já viu o blog da Nadia Aboulhosn? Dá uma olhada...). 

Mas eu não estava contente com o que vi. Não só por uma imagem, mas por principalmente saúde: eu não posso pesar além de um certo peso, porque isso prejudica minha mobilidade (minha sensibilidade nos pés ainda sofre reduções) e eu preciso facilitar o trabalho da circulação das minhas pernas. E sobrepeso prejudica muito isso. Fora que comer muito açucar, fritura e bobagens a noite é muito perigoso. Para todo mundo. Sempre serei grande, e isso não incomoda. Incomoda sentir dores nas costas e pernas e ficar sem folego.

Então decidi fazer reeducação alimentar. Dieta não. Isso não funciona comigo. Eu vou detalhar o que fiz na reeducação alimentar, como convivo com ela durante o período menstrual e como de 94kg já passei a 90kg, com deslizes e chocolate inclusos. Mas falo disso outra hora.

Porque agora quero te perguntar:  O que você acha do plus size?

Eu sempre me pego pensando se o plus size passou a ser de fato aceito ou se não é golpe para ganharem mais dinheiro. Porque se de fato fosse um corpo aceito, não seria mais caro nem diferenciado.

Reparem que depois de muita crítica e súplica, muitas lojas começaram a ter roupas plus. Mas as coleções não são as mesmas que as demais roupas da loja. Então uma mulher como eu até gosta de uma roupa da vitrine, mas não encontra aquela roupa no tamanho. Ou encontra o mesmo tecido e estampa, mas em outra modelagem completamente diferente, que não favorece. E isso pode ser algo depressivo, pois você se sente parte de um grupo a parte.

Entendo que falem que a modelagem de uma roupa plus é diferente. Eu entendo um pouco de costura, então eu consigo perceber se isso acontece ou não e para quais tecidos isso ocorre. Jérsei é um tecido revelador, dependendo da modelagem, mas favorece muito no modelo certo. É questão de técnica correta.

E muita loja também entra numa onda de cor, modelo ou estampa sem alegria nem personalidade. Isso é muito ruim. As magrinhas podem usar cores, e as gordinhas não? Só usam preto? (bom, eu sim, mas e as nossas irmãs?)

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Roupas de uma coleção para mães de uma conhecida rede de Fast Fashion. Fonte aqui.

Ainda bem que hoje muitas lojas bacanas vendem roupas plus com personalidade. Estampas marcantes, cores chamativas...Mas as grandes redes, onde muitas mulheres encontram suas referencias ou preços que podem pagar, acabam caindo nas armadilhas que listei acima. Embora NUNCA vejo roupas plus size de alfaiataria (camisaria então, nunca vejo...), há boas possibilidades. Mas a pergunta é: as lojas estão pensando na auto estima das mulheres, ou no gasto de um grupo de clientes em potencial que sempre foi ignorado?

Comente!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Corset no trabalho - dicas

A primeira vez que vi uma mulher usando um corset no trabalho, foi há vários anos atrás. Paula Fernandes começava a usar corset nas suas apresentações, e virou uma febre onde eu morava na época.
A mulher neste caso era uma professora, colega de campus. Eu lembro de achar ousado e arrojado, mas uma parte de mim falava que ela estava parecendo uma pirata. Não estava adequado a um ambiente corporativo, mas estava linda para uma reunião mais descontraída ou uma balada.
De todas as vezes que vestia um corset para trabalhar, acabava tirando com medo de cair nesta armadilha do caricato. O corset é uma peça ousada, porque remete a lingerie ou fantasia, e se você vai usar num ambiente corporativo, precisa ter isso em mente.
Para quem é gótica e quer usar no trabalho, recomendo deixar o corset se destacar e manter o resto em neutralidade. Se o corset tem estampas ou desenhos, esta necessidade aumenta mais ainda, porque senão apaga a peça. Evite uma legging justa ou uma saia muito curta para não cair no look fantasia de pirata ou ficar sexy demais para o ambiente. Se usar modelo underbust não use camisa transparente ou rendada, pois vai mostrar a lingerie de baixo e aí fica muito revelador. Trabalhe as proporções e contrastes com camisas longas ou brancas, que cortam o efeito lingerie da peça.
Seguem umas inspirações:

http://www.victoriankitty.com/blogPhotos/2012/07/a-dsc05167.jpg

Corset style:
https://br.pinterest.com/pin/352406739563385626/

Corset dressing:
https://br.pinterest.com/pin/352406739563385627/

Imagem relacionada
https://stylesandsparkles.wordpress.com/category/uncategorized/

http://avacorsetry.co.uk/blogs/news/12794169-beyond-the-boudoir

Imagem relacionada
http://farthingalesla.com/corset-gallery/index.php

Image
http://loadingreadyrun.com/forum/viewtopic.php?f=7&p=526520&style=8

work appropriate corset:
https://br.pinterest.com/pin/218283913164108816/

http://www.victoriankitty.com/blogPhotos/2012/07/a-dsc04461.jpg


E você? Que achou dos looks? Usaria? Comente!

Nescio quid possit oriri vitae aperto
(Uma alma escura pode ser fruto de uma vida às claras)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Projeto de escrita mensal - A história do meu blog

Foto de Jaqueline Campos.

Olá!

Sei que estou atrasada na postagem, mas vou fazer!
A Jaque do 4sphyxi4 criou um projeto muito interessante, onde nós somos chamadas a postar todos os dias 15 de cada mês. 

Os temas são:


Janeiro • A História do meu Blog
Fevereiro • O que aprendi com a blogosfera.
Março • Tudo aquilo que me inspira hoje.
Abril • 5 blogs que sigo e admiro! (Underground, please!)
Maio • Coleção de fotos que nunca publiquei.
Junho • Três postagens antigas favoritas.
Julho • Sobre meu estilo pessoal.
Agosto • Memórias da minha infância / adolescência.
Setembro • 10 coisas pelas quais sou grata!
Outubro • Sobre amores da minha vida.
Novembro • Vivendo na era digital.
Dezembro • O que este ano me ensinou?


Então vamos na postagem de Janeiro...
Eu comecei o blog em 17 de setembro de 2014. Eu, até então, sabia que os góticos existiam, adorava (e ainda adoro!) música pos punk e darkwave, mas não conseguia encaixar meu guarda roupa ao modo gótico de ser. Porque eu gosto de alfaiataria, e alfaiataria com punk é algo muito exótico para nosso dia a dia, certo? Além disso, roupa gótica para pessoas mais maduras é algo meio complexo né?
Até eu descobrir que tinha mais gente com o mesmo pensamento que o meu. Um blog sobre o estilo me ajudou a entender que existia um modo específico de ser gótico e usar terninho: o Corp. Goth!
O termo vem de utilizar o vestuário típico de escritório com a pegada gótica. Muitos góticos passaram a trabalhar em escritórios e tiveram de adaptar seu gosto dentro das normas empresariais, criando o estilo.

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Uma clássica: Stereotypes of Goth - the corp goth. Fonte aqui

No inicio, só pretendia falar do visual e de musica. Não queria falar de mim mesma. Mas chega uma hora que você percebe que quer falar, fala e se sente bem, e aí não tem mais volta.
Desde então 500 coisas aconteceram. Eu tento seguir o CorpGoth de ser todo dia, mas às vezes canso e saio de jeans e camiseta. Engordei vários quilos. Cortei os cabelos. Normal. Não é a toa que meu apelido é Camaleon.
E espero que 2017 tenhamos vááááários posts tão legais quanto este!!
Beijos!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Mas você não tinha ido embora???

E eu tinha ido mesmo! kkkkk

A história foi assim: em 26 de abril inaugurei outro blog, igual a este, mas em outra hospedagem. Eu achava que estava precisando sair deste formato para postar mais. 

Se ficou bom? Achei que ficou lindo. Dá para colocar tantas coisas! Músicas, albuns de fotos... E até hoje penso se não devia manter. 

Mas...a verdade é que o formato do Blogger me facilita muuuuuuito postar com mais frequencia. E a ideia era essa no novo blog. Acabou não funcionando. 

Acho lindo um site cheio das tecnologias, com layout personalizado. A Fernanda, minha prima, cansou de sugerir coisas para um site meu. Mas eu não me dou com estas coisas, porque não tenho muito tempo. 

Bom, aí entrou outro fator. O fator preguiça. Eu estava sempre querendo fazer posts com ultra pesquisa. Mas isso leva tempo, e o unico dia que tenho disponivel para postar e pesquisar é sabado. Dia que descanso, reviso as minhas aulas, limpo casa e leio os outros blogs. E quem disse que eu estava fazendo estas coisas?

Eu estava é dormindo, isso sim kkkk

Mas este ano pretendo ser mais organizada e me policiar nas leituras. Até porque comecei a perceber que desanimei com vários blogs alternativos. É sempre mais do mesmo. E aí afetava a leitura daqueles que realmente eu gosto e me fazem me sentir inspirada. Então agora estou fazendo diferente: lerei o que realmente me inspira. 

Dito isso...

Olá! Eu sou a Vívien, e o blog voltou.

Nescio quid possit oriri vitae aperto
(Uma alma escura pode ser fruto de uma vida às claras)

terça-feira, 26 de abril de 2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Flores do mal

Decidi escrever de novo.
Mas não vou justificar agora porque dei um tempo aqui. Não estou com vontade de fazer isso. Aqui sempre foi meu espaço libertador, e dar explicações é muita prisão auto-imposta. Faço isso aos poucos.
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(Enquanto escrevo ouço Flores do Mal - Legião Urbana)

Ontem comprei um buquê de flores para minha chefe. 

Acho engraçado quando vejo pessoas com flores no colo. Normalmente, quando vejo um rapaz, invejo a pessoa que vai ganhar aquelas belezas. Quando vejo uma garota, penso sempre em como ela reagiu ao ganhar as flores. Lembro de passar por uma moça uma vez com uma cestinha cheia de flores, apressada, de uniforme, com uma expressão nervosa no rosto. Fiquei pensando se ela tinha gostado das flores, ou se aquelas flores eram dela ou eram a outra pessoa.

Ontem, enquanto andava com as flores, as pessoas pararam para olhar. Algumas crianças disseram que eu parecia uma princesa sentada, esperando com flores no colo. É engraçado ser o centro de atenções quando as flores não são suas, mas são para alguém que você gosta muito.

O que acabou me abrindo uma ferida a muito cicatrizada.

Foram poucas as vezes que ganhei flores. Eu ganhei do meu pai quando "virei mocinha", aos 12 anos (achei fofo, mas na época morri de vergonha, sabe como é). Depois ganhei quando me formei no Ensino Médio (meu pai de novo), e na minha formatura (meu avô). 

De namorado? De um ex namorado, ganhei depois que terminei com ele. ele tinha sido extremamente agressivo comigo, eu terminei o namoro. De tanto medo que ele me causou, eu não queria nem ver. Ele resolveu me impressionar levando rosas vermelhas e um perfume para mim, na faculdade. Todo mundo achou o máximo, mas eu não. Nem levei as flores para casa, deixei com as secretária.

"E mentir é fácil demais".

Eu já tinha cansado de dizer a ele que eram atitudes ANTES de cometer erros que levavam ao perdão. De nada adianta presentear com flores, se a mão que as trouxe se ergueu para bater no rosto? De querer abraçar o corpo, mas machucar o coração com palavras duras?

"Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato, teus truques banais
Você acabou ficando pra trás"

Que adianta se ajoelhar e dizer que ama, se na hora que planejou morar junto deu para trás e deixou todas as contas em aberto, as dívidas na mão de quem confiava? De falar uma coisa e depois falar outra, alegando "não querer magoar", mas afirmando que não ia se repetir porque " a gente vai ficar junto para sempre"?

O mais dolorido para mim é que nunca mais recebi flores desde aquele dia. Nem colhidas de praça. Nenhuma veio pelo ímpeto de querer me fazer sorrir. Como se eu não fosse merecedora de gestos românticos, de romance e palavras de paixão sincera. E ae comecei a dizer que não gostava de flores em buquê porque cortavam as coitadinhas, que prefiro flores em vazo (eu tenho dó, sim. Mas tenho dó da minha alma iludida também, ora).

Não. Simplesmente para mim, não há mais espaço, mas há vazio e a falta. 

Para que pedir minha mão em casamento com uma situação romântica?
Para que presentear no aniversário com alguma surpresa doce e fofa?
Por que lembrar de mim quando vê o Sol refletir nas águas de um lago tranquilo?
Para que ser romântico comigo, afinal?

Para todos os meus ex, só um recado. E para toda mulher e homem que economiza em romance, que se pergunta se deve, se não vai fazer papel de trouxa.

Por vocês mesmos. Façam por vocês mesmos. Não façam para pedir perdão, para provar que podem, para provar que a pessoa errou.

Não leve flores do mal em seu colo. Você não merece fazê-lo.


sábado, 30 de janeiro de 2016

Cyberpunk e seus filhos - steampunk, dieselpunk, e outros (parte 9)

Depois de falar de muitos estilos dentro do gênero Cyberpunk, vou falar hoje do gênero mais famoso: o Steampunk.
Que amo demais, diga-se de passagem.

Steampunk é um subgênero da ficção científica e às vezes fantasia que incorpora tecnologia e design de estética inspirados pelo século 19 e por maquinas a vapor. Apesar de suas origens literárias serem associados às vezes com o cyberpunk, obras steampunk são muitas vezes criados em uma história alternativa do século 19 britânico (era vitoriana) ou no Oeste Selvagem americano, ou em um pós-apocalíptico, durante o qual o poder de vapor tem mantido o uso, ou em um mundo de fantasia que emprega de forma semelhante o poder de vapor. Steampunk pode também incorporar elementos adicionais dos gêneros de fantasia, horror, ficção histórica, história alternativa, ou outros ramos da ficção especulativa, tornando-se muitas vezes um gênero híbrido. 
Chegando até a música (de grupos como Abney Park ou Dresden Dolls), alcançando programas reality-show e até animes, o Steampunk é um gênero altamente cultuado e respeitado no Brasil. Temos ótimos livros brasileiros, alguns referenciais internacionais: as coletâneas “Retrofuturismo” (2013) e “Vaporpunk” (2010 e 2014); “O Baronato de Shoah” (2011), “Homens e Monstros” (2013), "Steampink” (2012), “Le Chevalier e a Exposição Universal” (2015), a coletânea “Dystopia” (2013), “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário”, “Deus Ex Machina- Anjos e Demônios na Era do Vapor”, e o projeto multimídia de Bruno Accioly, “Crônicas Póstumas”, que tive oportunidade de ler o começo e já apaixonei de cara. Adoro Machado de Assis e a proposta é mexer com os personagens do consagrado autor, em uma visão steampunk. Recomendadíssimo!


Filmes temos: As loucas aventuras de James West, Steamboy, A Liga Extraordinária, De Volta para o Futuro 3, e muitos outros. Eu poderia encher de fotos aqui de visuais steampunk. O mundo é vasto e permite releituras diversas. Mas quis colocar aqui uma situação especifica, que aqui no Brasil é ainda feita com bastante tradicionalismo e muitas vezes certas rigidez: o casamento. Então vamos admirar a criatividade dos casais:
1
2

3

4

Casal muito lindo!!! 5

Como usar este estilo no ambiente corporativo?
Por mais que não pareça, o Steampunk é fácil de referenciar em trajes mais sóbrios. Basta usar tons e elementos característicos. Aqui, fiz 3 propostas: um casual day (informal mesmo!), uma proposta mais fechada, com peças plus size, e uma terceira para ambientes bem formais:

Steampunk in office conception - casual day, plus size and formal



Gostou? Usaria? Comente!

Referências:
http://www.terravermelha.com/e_revista/53/a-literatura-fantastica-da-serie-brasiliana-steampunk
http://brasilianasteampunk.com.br/
http://zh.clicrbs.com.br/rs/entretenimento/noticia/2015/07/santa-maria-desponta-como-o-motor-gaucho-do-steampunk-4811559.html
http://revistabang.com/2013/11/27/o-steampunk-no-brasil/
http://www.facta.art.br/ciencia-do-apocalipse/steampunk-um-olhar-sobre-o-futuro-do-preterito/

sábado, 23 de janeiro de 2016

Em 2015 eu vesti...

...um monte de roupas que não coloquei aqui (hehehe).

Estou tentando me animar mais desde que 2016 começou, porque tem sido um ano cheio de promessas, mas muitas perdas e coisas sinistras andam acontecendo.

Aí lembrei que não tinha colocado os looks de fim de ano, de Natal nem Ano novo...Então vamos a eles!

Calça preta, blusa preta com decote coração, bolero vermelho vinho, colares: pingente egípcio, obsidiana, mandala preta, brincos pretos, anel pintado com esmalte prata, braceletes amor 1 e 2, anel de pedras vermelhas, sapatilhas preto e branco. Batom marrom matte.

Blusa preta, saia longa vinho, sandália gladiadora, mix de pulseiras, brincão preto. Batom marrom matte de novo.

Casamento de uma amiga. Como era em uma igreja bem tradicional, resolvi usar uma roupa mais fechada. Comprei um vestido chinês vermelho, muito lindo... Que rasgou inteirinho!!! A lateral embaixo do braço e na outra lateral, só que na perna! Tive de me cobrir toda para ir embora, e sorte que estava frio, porque usei uma meia opaca preta e consegui disfarçar. Estava de batom vermelho, pulseira combinando, bolsa que na verdade era um porta jóias, todo mundo comentou que estava diferente e bonito. Aí voltei para casa, peguei um vestido que estava lá de bobeira, de veludo roxo. Coloquei uma gargantilha emprestada, de cristais. Não fiquei tão feliz, mas era o que tinha a mão. A foto que aparece aqui foi feita depois do jantar. 
Uma diferença de algumas horas, e eu levei um choque: como fiquei acima do peso por causa do tecido! Fiquei chocada!

No Natal: vestido preto, pulseira que ganhei de Natal, anéis que ganhei também, sandália gladiadora, e meu cabelo comprido ainda. Batom marrom ultra escuro, lápis de olho preto e amarrei o cabelo na lateral.
Aconteceu uma situação engraçada: minha mãe me deu um vestido para usar no Natal. Vesti, me arrumei, mas não conseguia ficar natural. Não era eu naquele vestido. Acabei dando para ela e coloquei um pretinho. Só lamentei que ele estava muito decotado e causou climão.


Fim de ano: vestido branco, pulseiras e gargantilha de renda, que depois troquei pela de sempre, anel novo, cruz com pedra preta, e...Tatuagens! Não, não são definitivas. São falsas. Mas foi bom para estudar possibilidades. Sempre recomendo que quem tem dúvidas use tattoos falsas, o que evita passar raiva depois. 
Se não se lembram ou não viram, este vestido usei em minha cerimônia de casamento civil. Eu uso de novo, não por ser fim de ano, mas porque não gosto de deixar peças paradas no armário. Como branco eu só uso neste época do ano mesmo...
Ainda tava de cabelão...e estava mais parecida com quem era há uns 5 anos atrás, o que não me agrada por ser uma época de indefinições. Então...

Ah bem melhor hehehe. Batom azul e cabelo novo!

Quem gostou comenta!
Beijos!


domingo, 17 de janeiro de 2016

A morte de um cão e por que mudei o jeito de ver a vida

Hoje finalmente consegui dormir, e escrever aqui.

Há dias que olhamos para o céu, se perguntando se tem alguém lá olhando. Outros dias, fazemos coisas nas quais a alma se machuca e se envergonha, e olhamos para cima pensando que, se tem alguém lá, que nos perdoe.

Dia 11 morria David Bowie. Estava lamentando a morte do artista, chorando, quando ouvi um baque surdo e um choro agudo de um cão. Corri e vi um cão gritando após ser atropelado, e um rapaz tentando impedir que um caminhão ceifasse a vida do bicho de vez. Minha mãe gritou tão alto que acho que até no céu ouviu-se, pois o caminhão freou na última hora possível.

Tiramos o cão debaixo do caminhão, com cuidado. O sofrimento e os lamentos nunca vão me deixar. Ele acabou mordendo minha mãe quando fazia carinho nele, mas depois pareceu pedir desculpa, ao olhar para ela. Bowie. Batizamos assim.

Levamos a vários veterinários. 3 dias de agonia. Cachorro evacuando e tossindo sangue. Bicheiras nas feridas. Não comia, não bebia, avançava com medo quando íamos dar banho. Mas pedia carinho, e sobretudo, que aliviássemos sua dor. Remédios. Muitos. Não faziam efeito.

As contas se multiplicavam. 500 reais só em raio X, remédios, veterinário. Sei que estão fazendo seu trabalho e que precisam comer. Mas um mísero curativo? Não. Uma ajuda para lavá-lo? Não. Recomendações que podíamos ir numa agropecuária comprar remédios em spray ao invés de injeções que não conseguíamos dar? Não. Tinha que ter dinheiro. A ganância é mais forte que a ética ou a piedade. Pagaria o que poderia, não me nego. Mas não 

Liguei para tudo quanto era lugar. O bichinho nos olhava num misto de dor, pedido de misericórdia e agradecimento. Chorei tanto na frente da última veterinária que saí sem voz e com o rosto assado, de tanto esfregar papel. Nada.

Enfim apareceu um amigo disposto a ajudar. Veio segurá-lo para medicar. O remédio para dor conseguimos dar. O comprimido para os demais problemas, não foi possível. Bowie nos olhou com tristeza, começou a se espichar todo e se despediu de nós. Implorei a quem estava lá em cima, olhando, que o levasse sem dor. Deixasse a dor física dele na minha alma, para poupá-lo de um mundo cruel demais. 

Por que insisto em ajudar? 
Por que lembro da letra de Índios, do Legião Urbana: 
"Nos deram espelhos, e vimos um mundo doente.
Tentei chorar e não consegui".

É pelo mundo doente. Eu adoeço com o mundo, quando produzo muito lixo, quando viro o rosto para o sofrimento do pedinte, quando me pedem ajuda para cuidar de bichinhos, quando compro algo supérfluo sabendo que tanta gente precisa...a culpa na alma me olha no espelho, e ela sim chora. Que mundo estamos deixando? O que pensam aqueles que estão olhando lá de cima? O mundo mudou tanto aos meus olhos depois disso que nem sei mais o que quero escrever aqui.

E como homenagem ao Bowie cantor e ao Bowie canino, aos verdadeiros heróis que todo dia mudam o mundo com ações de bondade e misericórdia, ações de coragem que não aparecem na Tv, uma de minhas músicas mais queridas:



Heróis

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos podem nadar
Embora nada, nada vai nos manter juntos
Nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Oh, nós podemos ser heróis, apenas por um dia

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada os afaste
Nós podemos vencê-los, apenas por um dia
Nós podemos ser heróis, apenas por um dia

E você, você pode ser mau
E eu, eu vou beber o tempo todo
Porque somos amantes, e isso é um fato
Sim, somos amantes, e isso é que

Embora nada, nos mantenha juntos
Nós poderíamos enganar o tempo, apenas por um dia
Nós podemos ser heróis, para todo o sempre
O que você diz?

Eu, eu gostaria que você pudesse nadar
Como os golfinhos, como os golfinhos podem nadar
Embora nada, nada vai nos manter juntos
Nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Oh, nós podemos ser heróis, apenas por um dia

Eu, eu serei rei
E você, você será rainha
Embora nada nos afaste
Nós podemos ser heróis, apenas por um dia
Nós podemos ser nós, apenas por um dia

Eu, eu me lembro (eu me lembro)
De pé, junto à parede (na parede)
E as armas, disparou acima de nossas cabeças (sobre nossas cabeças)
E nós nos beijamos, como se nada pudesse cair (nada
Poderia cair)
E a vergonha, estava do outro lado
Oh nós podemos vencê-los, para todo o sempre
Então poderíamos ser heróis, apenas por um dia

Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis
Nós podemos ser heróis
Só por um dia
Nós podemos ser heróis

Nós não somos nada, e nada vai nos ajudar
Talvez estejamos mentindo, então é melhor não ficar
Mas poderia ser mais seguro, apenas por um diaoh-oh-oh-oh, oh-oh-oh-oh, só por um dia

Oh-oh-oh-ohh, oh-oh-oh-ohh, apenas por um dia





sábado, 16 de janeiro de 2016

Julgas e serás julgado

Você faria tatuagens com um tatuador sem tatuagem nem piercings?
Sim, não? 

A pergunta surgiu numa conversa que estava tendo dias atrás com uma moça que tem problemas de quelóide. Quelóide ou cicatriz hipertrófica é um problema em tatuagens e piercings, porque fica muito feio e estraga o desenho. Então, a pessoa que quiser ter e sofre deste problema precisa usar piercings e tattoos falsas. Mas isso causa uma espécie de repulsa em alternativos e demais interessados na arte, porque parece dar a entender que a pessoa tem medo de assumir as intervenções corporais. O assunto, aliás, não é novidade, aparece em vários fóruns de discussão (aqui e aqui, só para dar exemplos).

E aí veio a questão. Quem tem tendência a quelóide pode ser tatuador. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas você se tatuaria com quem não pode ter? E com quem simplesmente não tem?

É fato que nós, seres humanos, temos um mecanismo evolutivo que nos faz acostumar com o que considerado seguro e desejá-lo. Por que mesmo aqueles que não temem altura sentem um frio na barriga perante o perigo de cair? Porque é ancestral. Nos acostumamos de tal maneira a associar fatos com pessoas que não raciocinamos mais. 

Está vestindo branco? É médico.
Mas pode ser dentista. Pode ser fisioterapeuta. Pode ser pintor (muitos preferem usar branco, pois é mais fácil limpar com água sanitária depois). Pode ser praticante de religião afro ou espírita...

Está de terno? É advogado ou político.
Já teve ladrão usando terno e gravata para impressionar as vítimas, sabia?

E se você entrasse em um estúdio de tattoo e o artista não tivesse uma sequer? Você acreditaria em seu potencial? Ou julgaria, como tantos, que ele não é alternativo o suficiente, que não é bom o suficiente?

Se eu mostrasse a foto desta mulher e dissesse que ela entende de rock, você acreditaria?


Pois ela é nada mais, nada menos, que Gisele Maria Rocha, brasileira, muçulmana e toca guitarra pra caramba!!! Olha um vídeo dela:


Fico pensando na quantidade de pessoas que desistem de seus sonhos por um impedimento social. O tatuador com quelóides é apenas um exemplo. Ele é um artista, independente da cena ou não. E ser isolado por conta de uma obrigatoriedade social da cena é algo triste. Se ele usar tattoos falsas e piercings falsos, ele será menos que os outros? Se eu usar por problemas para furar, serei menos digna?

A cena alternativa dentro dela mesma sempre lutou por igualdade: de raça, de sexualidade, de condição social. O punk era punk, independente de ser negro ou branco. O gótico é gótico sendo homem ou mulher. O rockabilly é rockabilly, independente se veio da praia, do campo ou da cidade. 

E aí vejo aquela briga do "gótico tem que parecer um vampiro, pele cor de leite" e fico fula. Punk tem que se furar todo para ser respeitado. Fetichista pre-ci-sa usar saltos altíssimos. Não, não, não. Isso não é uma questão de manter o aspecto cultural da subcultura. É impor uma regra cega, segregadora. Exatamente a mesma coisa que a sociedade "normal" faz conosco todo dia.

Sempre lutamos por respeito ao indivíduo. Nossos avós vieram de gerações onde não havia respeito a vontade individual. Sonhos enterrados e frustrações eram o estopim de muita subcultura, a base da luta. E de repente estamos nós impondo condições para aceitar? Existe o "alternativo, mas não o suficiente"?

Sinceramente? Sou alternativa porque penso diferente. Não é tatuagem, não é piercing, não é tacha, renda ou rebite. Cansei de olhar no espelho e me perguntar se estava alternativa o suficiente. Agora penso "vou passar a mensagem que quero?". Mensagem de "não ligo para a podridão da sociedade, tenho coisas mais importantes a fazer. Tenho sonhos e vontades". 

Se uma pessoa que sonhou ser tatuadora, mas não pode ser por imposição social da cena, desistiu, então estamos regredindo.

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